Conceito de puberdade
18 de fevereiro de 2009 | Autor:

Que significam os termos adolescência e puberdade?De acordo com o Pequeno Dicionário Brasileiro da Língua Portuguesa, de Aurélio Buarque de Hollanda Ferreira, adolescência é o período da vida do homem entre a puberdade e a virilidade (dos 14 aos 25 anos).

Há registro, também, do vocábulo adolescer, que significa atingir a adolescência, crescer, desenvolver-se. Por outro lado, a Enciclopédia Barsa define a adolescência como o período de transição entre a infância e a maturidade (13-14 aos 22-23 anos de idade para meninos e 11-12 aos 21 anos de idade para meninas). Para o Pequeno Dicionário, puberdade é a idade em que os indivíduos se tornam aptos para a procriação, e para a Barsa é a fase da vida em que começam a se desenvolver novos caracteres psicossomáticos em conseqüência das modificações fisiológicas das glândulas endócrinas (12 a 16 anos). Considere-se, também, o significado dos termos referidos a seguir, ainda segundo o Pequeno Dicionário: púbere (chegado à puberdade, que começa a ter barba ou os pêlos finos que anunciam a adolescência), pubescência (estado de pubescente, conjunto de pêlos finos e curtos que revestem a epiderme de certos órgãos ou de certos frutos), pubescente (que está coberto de pelos finos e curtos) e pubescer (tomar-se púbere ou – segundo outros – fazer-se peludo).

Então, a puberdade anuncia a adolescência ou é uma fase dela? São fenômenos distintos, porém paralelos, ou aspectos de um mesmo fenômeno? Há adolescentes não púberes e crianças púberes fora da adolescência?

Do ponto de vista estritamente conceitual, essa questão obriga à reflexão A sexta edição de “Pediatria Básica” (p. 176) define a adolescência como sendo o “período de transição entre a infância e a idade adulta, caracterizado por intenso crescimento e desenvolvimento que se manifesta por marcantes transformações anatômicas, fisiológicas, mentais e sociais” (Colli, 1978). Não se trata, na realidade, de uma definição, pois definir é determinar a extensão ou os limites de alguma coisa. O enunciado acima é mais um conceito, isto é, uma idéia ou uma opinião e prevê a utilização de diferentes critérios (cronológico, físico, psicológico e sociológico). A autora citada reconhece a dificuldade em definir adolescência e aceita que a complexidade do assunto obriga à adoção de critérios práticos, principalmente em termos assistenciais, com base nos dados cronológicos associados eventualmente com dados de desenvolvimento físico.

O autor desta introdução está de pleno acordo com o ponto de vista exposto acima e renuncia a qualquer tentativa de definir a adolescência e propõe seja ela entendida como um conjunto de manifestações biopsicossociais que se localizam entre a infância e a maturidade, sem que seja possível determinar o momento do início e do fim. Sabe-se, por consenso, o que vem a ser uma criança e um adulto: pois bem, o adolescente coloca-se entre esses dois indivíduos.

E quais seriam as manifestações biopsicossociais acima referidas? Bem, um dos objetivos da presente Monografia é exatamente apresentar e discutir as modificações do ser humano que o caracteriza como um adolescente, nas esferas física, psíquica e social. Embora o assunto esteja magnificamente analisado em vários capítulos desta Monografia (e a esses capítulos reporta-se o leitor) algumas referências serão colocadas nesta introdução. Preliminarmente é indispensável esclarecer que as modificações “bio”, “psico” e “sociais” não se iniciam e terminam ao mesmo tempo: e mais, o fazem de modo intangível. Dificilmente se poderá informar quando apareceram os primeiros pêlos pubianos numa criança ou quando começou a segunda repleção: ou quando a criança iniciou, a seu modo, a tentativa de derrubar o poder constituído, sejam seus pais, ou o guarda de trânsito, ou o Governo Federal ou mesmo o Papa. As manifestações físicas podem preceder as de natureza psicossocial e o resultado será uma criança pubescente, porém portadora de atitudes infantis. Ou então pode ocorrer o contrário: divergências, contestações e crises existenciais em um indivíduo de corpo ainda infantil. Em ambos os casos, a adolescência já começou.

Se for aceito que as primeiras modificações (de natureza “bio”, ou “psico” ou “social”) já caracterizam a adolescência, ainda que impossível de precisar a data de aparecimento, e que a adultícia estará instalada de modo pleno com o desaparecimento das últimas características da adolescência, penso poder afirmar que as borradas fronteiras dessa importante fase da vida estender-se-iam dos 10 aos 25 anos de idade. Por enquanto, entenda-se bem, pois o fenômeno conhecido como aceleração secular do crescimento, além de determinar um aumento da estatura final do indivíduo com o suceder das gerações, também está fazendo com que as manifestações pubertárias surjam cada vez mais cedo, haja vista a idade da menarca.

Puberdade é outra coisa: é fenômeno físico mensurável se o observador dispuser de instrumentos adequados. Digamos que é o componente “bio” da adolescência, portanto é parte dela embora não seja admissível que os dois termos (adolescência e puberdade) sejam utilizados um pelo outro. Com um pouco de exagero, pode-se afirmar que um observador paciente e munido de uma boa lente pode detectar o momento de aparecimento dos primeiros pêlos pubianos. Nas meninas, é possível saber exatamente o dia da menarca e até a hora da menarca se tal conhecimento tivesse algum valor.

(MARCONDES, Eduardo. et. Al. Adolescência. São Paulo : Sarvier, 1979)


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Categoria: Ginecologia