Critério de Malignidade
15 de fevereiro de 2009 | Autor:

Quando preparações citológicas não ginecológicas são realizadas é necessário distinguir entre células normais reativas e malignas. Nas preparações ginecológicas há a complicação adicional de reconhecer células discarióticas, as quais é necessário distinguir entre uma lesão intra-epitelial e uma invasiva. A confiabilidade do relatório depende do reconhecimento de um bom critério de malignidade e em muitos casos o diagnóstico pode ser tão acurado como em um corte de tecidos. Contudo, tem que ser aceito que há casos nos quais os critérios de malignidade são insuficientes, embora características suspeitas possam estar presentes. Nestes casos as células anormais seriam descritas como discarióticas, com uma afirmação suplementar esboçando as razões para suspeita de uma lesão invasiva. É importante como isto modificará a conduta clínica do caso, particularmente com respeito ao tamanho e profundidade da biópsia.

O critério mais comum de irregularidade são as alterações nucleares e nucleolares, relacionamento do núcleo com citoplasma e relacionamento de uma célula com outra. Outras características tais como multinucleação, hipercromatismo, forma da célula e pleomorfismo, tem que ser aplicadas com cautela. Já se tem mostrado que estas alterações podem refletir somente reação e regeneração celular.

198. Núcleos malignos: grumos de cromatina. Em células discarióticas há grumos grosseiros de cromatina, mas a cromatina é uniformemente distribuída através do núcleo. Em comparação, o núcleo neste campo mostra-se grande, com grumos irregulares de cromatina com áreas claras irregulares entre eles. É importante se estar certo de que os grumos de cromatina têm uma borda nítida, assim como a necrose coagulativa dá uma aparência semelhante exceto pelas bordas borradas e difusas. Isto pode também se aplicar para condensação irregular de cromatina na membrana nuclear. Esta característica é também vista neste núcleo. Irregularidades da membrana nuclear são também importantes e um entalhe nítido com esmaecimento de um pólo é visto neste núcleo. (x 620)

199. Carcinoma de célula escamosa: biópsia em cunha. Exame do tecido do câncer invasivo neste caso mostra que as mesmas irregularidades da cromatina estão presentes. (H&E, X125)

200. Carcinoma de célula escamosa: biópsia em cunha. Esta é mais aparente quando o tecido é fotografado no mesmo aumento que a preparação citologia. Notar o formato irregular dos nucléolos. (H&E, x 620)

201. Núcleos malignos: membrana nuclear. Neste exemplo existe irregularidade da cromatina condensada na membrana nuclear. Em um pólo é muito espesso e no outro está ausente. Notar também a irregularidade da forma dos nucléolos e a espiculação da cromatina nuclear e membrana nucleolar. (x 620)

202. Núcleo maligno: irregularidade da forma nuclear. Além das irregularidades de cromatina, dois destes núcleos mostram-se bem definidos, com recortes nítidos no nucleoplasma; há também alguma vacuolização. Os outros núcleos mostram irregularidades mais delicadas da membrana nuclear.

203. Necrose coagulativa: núcleo discariótico degenerativo. Este campo ilustra o modo pelo qual a confusão cresce quando a necrose coagulativa está presente. Comparação entre 198 e 202 mostra que neste quadro as bordas dos grumos de cromatina são difusas e o recorte no nucleoplasma é macio e arredondado. (x 620)

204. Célula maligna queratinizada. Esta célula mostra duas características de interesse. Os núcleos estão colocados para o lado da célula e a borda citoplasmática exatamente paralela à borda do núcleo maior; esta é outra característica vista nas células malignas (Frost, 1969). A célula é binucleada, mas os núcleos diferem acentuadamente em tamanho, um é vesiculoso, enquanto o outro é picnótico. Queratinização irregular está presente, mas este achado não é específico. (x 620)

205. Célula maligna binucleada. Este é outro exemplo de uma célula binucleada com núcleos de forma e relações um com outro. Contraste deste com exemplos prévios de células multinucleadas, vistas em reação e discariose (72, 73, 85, 104, 158, 168). (x 620)

206. Célula em fibra maligna. Em um aumento menor, este campo apresenta numerosas células em fibra queratinizadas degeneradas. Comparações com 74, mostram que estas diferem em irregularidades acentuadas da cromatina nuclear, as quais são vistas. Esta é a característica que leva ao diagnóstico de malignidade e não a forma da célula. (x 160)

207. Células malignas fusiformes. Comparações com 80 e 183, mostram que neste caso a cromatina nuclear está irregularmente agrupada com áreas claras. Pleomorfismo e irregularidades do contorno nuclear também estão presentes. Alterações degenerativas são menos acentuadas que em 206. (x 160)

208. Célula em “girino” maligna. Este é um exemplo de diferenciação anormal na célula maligna. Notar que a cauda parece ser, no processo, substância removida com o resto da célula. Isto sugere outro exemplo de divisão anormal, com lise do segundo núcleo. Em outro campo e na biópsia, isto foi confirmado como um carcinoma de célula escamosa, mas esta pequena célula isolada mostra degeneração demasiada para um diagnóstico seguro ser feito. Comparações com núcleos polimorfos no campo mostram que esta é uma pequena célula. (x 620)

209. Célula em “girino” maligna. Por contraste, neste campo, que também apresenta exemplos de diferenciação, núcleos mostram bom critério de malignidade. (x 400)

210. Célula em “girino” discariótica. Compare o padrão de cromatina nuclear desta célula discariótica binucleada com o padrão de cromatina nuclear visto em 209. Será observado neste exemplo que o padrão de cromatina nuclear se parece com aquele visto em células discarióticas ilustradas no capítulo 5. Note também que os dois núcleos são idênticos, diferentes do par de núcleos vistos em 204 e 205. (x 160)

211 Pérola maligna. Compare este exemplo de formação perolar com 82 e 83. Será visto que em comparação com uma perola discariótica benigna, esta pode ser reconhecida como uma pérola maligna por causa do padrão mais irregular de cromatina nuclear. (x 320)

212 Células colunares malignas. Os exemplos de células malignas já ilustrados têm sido de carcinoma de células escamosas, e na maioria dos casos a diferenciação citoplasmática tem sido em harmonia. Neste campo formas acinares são vistas e o citoplasma é flocular. Será notado que a cromatina nuclear é granular em lugar de grumos e as áreas irregulares de clareamento são menores, mas ainda presentes. Nucléolos são mais evidentes. (x 40)

213 Células malignas indiferenciadas. Estes grupos de células malignas têm uma alta relação nucleocitoplasmática, sendo difícil estar seguro do tipo de diferenciação citoplasmática. O bordo citoplasmático bem marcado e arcos concêntricos em uma célula tornam mais provável que este seja um carcinoma escamoso de pequenas células, mas seria possivelmente sensato descrever como uma “diferenciação incerta”. (x 400)

214 Células malignas indiferenciadas. Este é um outro exemplo de células malignas de “diferenciação incerta”. Neste caso o corte histológico foi também referido como um carcinoma indiferenciado. (X 250)

215 Diatesis tumoral. Este quadro mostra o fundo serossanguinolento, o qual tem sido descrito como ”Diátese tumoral”. Isoladamente este é um achado inespecífico, pois pode ser visto na presença de dano tecidual de qualquer causa. (x 40)

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Categoria: Citologia