Pesquisa inédita no Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Paraná relaciona a Síndrome dos Ovários Policísticos com outras doenças graves .


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niciada ainda em março deste ano, uma pesquisa que vem sendo desenvolvida no Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Paraná procura relacionar a Síndrome dos Ovários Policísticos à Síndrome Metabólica e à degeneração hepática gordurosa não alcoólica. Já estão participando da pesquisa – que ainda cadastra voluntárias – cerca de 80 mulheres e o objetivo, após as fases de coleta de dados e tratamento inicial, é organizar um programa de atendimento a pacientes deste tipo, além de apresentar os resultados em congressos médicos e publicações da área.

“Essa relação entre ovário policístico, Síndrome Metabólica e degeneração hepática é um estudo bem recente iniciado no ano passado nos Estados Unidos”, explica o professor do Departamento de Tocoginecologia da UFPR e coordenador da pesquisa Almir Urbanetz. “No Brasil, nosso estudo é um dos primeiros na área. Nossa principal preocupação encontra-se no fato de que se essas pacientes não fizerem um tratamento adequado e precoce, quando entrarem na fase do climatério, terão muito mais chances de desenvolver doenças cardiovasculares ou mesmo um câncer de endométrio.”

Segundo Urbanetz, a Síndrome dos Ovários Policísticos é uma causa importante da infertilidade, sendo cada vez mais comum sua associação à chamada Síndrome Metabólica. Estatísticas nacionais indicam uma incidência de 25% a 30%, enquanto nos Estados Unidos chegam aos índices de 43% a 46%. Os sintomas incluem um nível aumentado de glicose ou diabetes, dos triglicerídeos e da pressão arterial, níveis baixos de HDL, aumento da circunferência abdominal acima de 88 centímetros, todos considerados como fatores de risco para eventos cardiovasculares como os derrames, enfartos e anginas.

“Nossos exames, além de detectar esta relação, ainda estão nos dando uma idéia sobre qual a incidência dela nas mulheres que desejam engravidar e naquelas que querem apenas tratar as manifestações do ovário policístico: espinhas no rosto, pele oleosa e excesso de pêlos”, esclarece o coordenador da pesquisa. “Ao mesmo tempo também estamos avaliando qual a incidência de alterações hepáticas não alcoólicas, ou seja, dos depósitos de gordura no fígado.”

Pacientes com problemas de excesso de pêlos ou que não conseguem engravidar já estão sendo tratadas como resultado da pesquisa. Os casos de infertilidade estão sendo encaminhados também ao Ambulatório de Reprodução Humana do HC. “Mas ainda queremos cadastrar mais pelo menos 60 voluntárias para podermos ter uma amostra que nos dê maior poder nas análises estatísticas”, diz Urbanetz.

Os trabalhos têm sido desenvolvidos por uma equipe composta por doutorandos e professores da UFPR das áreas de Ginecologia e Obstetrícia e Gastroenterologia. Para participar da pesquisa, as voluntárias precisam ser maiores de 18 anos e uma das condições é não estarem fazendo uso de pílulas anticoncepcionais ou meteformina nos últimos três meses. As interessadas devem ligar para o número 3360-1800, ramal 7977, das 15h às 18 horas e falar com as secretárias Joceli, Márcia, Alexandra e Cristina.

O que é a Síndrome dos Ovários Policísticos

A Síndrome dos Ovários Policísticos é decorrente de um desequilíbrio hormonal que atinge de cinco a 10% das mulheres em idade fértil. Estudos recentes mostram que essas pacientes possuem “resistência” à ação da insulina, produzida pelo pâncreas, que então passa a gerar uma quantidade muito maior do hormônio. Essa é justamente a causa do surgimento dos sintomas da Síndrome Metabólica, aumentando o risco de diabetes e doenças cardiovasculares graves. O estudo desenvolvido no HC deve trazer benefícios ao aumentar a possibilidade de diagnóstico precoce para essas complicações, oferecendo inclusive novas formas de tratamento.

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Categoria: Ginecologia